Curar qualquer coisa leva tempo.

"Eu sabia! Eu sabia que
você estava me traindo, mas achei que você ia passar dessa fase. Achei que
você estava apenas se organizando, tentando ter certeza. Eu sabia!"

Ronaldo percebeu que esta seria sua única chance de contar o seu lado da história.
"Eu não sei por quê, Rosangela . Ela não significa nada para mim.


Mas Ele aí, percebeu também que uma segunda chance
com Rosangela Jean era provavelmente, quase certamente, impossível.


Curar qualquer coisa leva tempo.

Se você corta o braço e sangra, você pode tratar dele, cobri-lo, colocar um band-aid para evitar infecção, mas sabe que o ferimento precisa de tempo para cicatrizar. Durante os próximos dias, talvez até mesmo semanas, você deverá tratar o braço com muito cuidado, enquanto a ferida está cicatrizando. Você está esperando que uma nova camada de pele cresça. Nossos relacionamentos precisam do mesmo tempo de cicatrização, pois trazemos feridas para o relacionamento.
Quando não temos paciência, estamos fadados a enfiar o dedo na ferida ou arrancar
o band-aid cedo demais, querendo um conserto imediato. Esquecemos de que há um processo envolvido em qualquer cicatrização.

Um dos motivos pelos quais não respeitamos nosso próprio processo de cura é por nos odiarmos. Nós nos criticamos, nos achamos errados, tentamos consertar todas as coisinhas e, afinal, ficamos exaustos. E nos odiamos por nos obrigarmos a fazer um trabalho tão exaustivo. Exaustão e falta de amor-próprio levam a sentimentos de inadequação

Inadequados
porque não conseguimos parar de fazer as coisas que nos machucam e não conseguimos descobrir como começamos a fazer essas coisas. Então, a inadequação leva ao medo. Medo de que estejamos ficando sem tempo, medo de nunca conseguirmos dar um jeito na vida, medo de que, se ficarmos muito íntimos de alguém, essa pessoa irá descobrir o quanto realmente

somos inadequados. Mas não é nada disso! Não somos nem um pouco inadequados! Estamos machucados. Somos soldados feridos porque transformamos o amor em um campo de batalha. Quando um soldado é ferido, ela/ele deve abandonar o campo de batalha. Ela/ele deve partir para poder se curar.

Qualquer ser humano possui algo que precisa ser curado. Nem sempre é um corte profundo ou um ferimento infeccionado, mas sempre existe algo que precisamos de tempo para tomar consciência. Em todos os relacionamentos, sejam bons ou ruins, chega uma hora em que os parceiros precisam se afastar para poderem se curar. Infelizmente, o medo da perda nos impede de tirar férias por alguns dias ou algumas horas, para começar o processo de cura, cada um para um canto, de tal maneira que possamos voltar e tratar juntos dos ferimentos.
Quando os parceiros não se afastam para cicatrizarem sozinhos, aumentam as possibilidades de criarem todo o caos e confusão que procuram tanto evitar. Não é o relacionamento em si, são as feridas que trazemos e nas quais continuamos a mexer porque não tiramos um tempo para dar início à cura. É o amor-próprio que nos tornará capazes de nos darmos um espaço para cicatrizar, sem medo.
A compatibilidade sexual não resolve o problema. A necessidade de sentir-se necessário não nos dará forças. O desejo de que cuidem de nós não nos dará coragem. Temos que saber como nos amar, estejamos ou não em um relacionamento. Se não existe amor-próprio, não teremos escolha a não ser fazer as coisas idiotas e infernais que nos enlouquecem / nos relacionamentos.

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