Então você quer "evoluir"?

Então você quer "evoluir"?

o que tem feito pra isso?

evolução como "crescimento", "progresso", melhoria.


Também no sentido de 'transformação, mudança, desenvolvimento'

Então é positivo e desejável que alguém queira evoluir - mas não ache que isso necessariamente implica em melhoria.

Tampouco evolução é, em termos 'espirituais', a busca da 'iluminação.'


frase do Cardeal John H. Newman:



"CRESCER É MUDAR, E SER PERFEITO É TER MUDADO CONSTANTEMENTE."


Então, por princípio, evoluir é aceitar - ou melhor, é compreender e, por que não, desejar - a mudança.

Nada é mais assustador do que a mudança... nada é mais fácil de se lidar do que a 'familiaridade'. Buscamos essa familiaridade em nossas vidas - cercamo-nos de elementos que conhecemos bem, e que nos trazem a sensação - eu disse sensação - de segurança.
Trabalho, família, amigos, ideais, crenças, filosofias. Gostamos do que conhecemos, desconfiamos do que não nos é familiar.

O novo é o abismo, sempre sedutor; como bem disse o tcheco Milan Kundera: 'a vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio embaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual logo nos defendemos aterrorizados.'
O novo, a mudança, é o vertiginoso abismo que nos atrai. Mas o medo do novo, a racionalidade e os conceitos que nos dizem que o familiar é bom porque é conhecido logo sabotam essa sedução irracional. A racionalidade é a luz, a sedução é a escuridão do abismo. Luz é dia, razão, masculino. Escuridão é noite, intuição, feminino. Só existe perfeição na soma de tudo, no Casamento Sagrado.

Que nunca, nunca acontecerá se tememos o novo! Temer o novo é temer o escuro, é negar o instinto, e fugir da noite e artificializar o dia, é viver penso e eternamente apoiado somente na perna da razão e atrofiar a musculatura da perna da emoção, da intuição, da alma. Não há casamento sagrado sem a escuridão.

Sem o novo, sem a mudança, não há evolução.

E sem evolução, não há perfeição. A sabotar o processo, desde o início, a covardia da 'familiaridade'. Nas sábias palavras de uma conhecida minha, "a intimidade é uma merda"...

Quando perguntado sobre o caminho para a felicidade, Joseph Campbell, ele mesmo um mito já, verbalizou a receita:


Siga a sua bem-aventurança, vá atrás daquilo que lhe faz feliz, que faz sua alma brilhar.

Essa frase fez tanto sentido à minha mente e à minha alma que só me restava marcá-la no corpo para sempre.



seguir a bem-aventurança implica em mudanças. Implica em riscos. Implica em mergulhar no desconhecido, em abraçar o novo, em descartar o 'familiar', em ousar, pular no abismo escuro, ouvir a voz do instinto e da intuição - muitas vezes dando a impressão de que, ao fazê-lo, estamos traindo nossas crenças e convicções.

Falsa impresão - traição é não seguir sua bem-aventurança! Isso é condenar-se a uma 'meia-vida'.

Afirma Kundera:
"Trair é sair da ordem e partir para o desconhecido."


Então a mudança é uma espécie de 'traição'? Sem dúvida - mas uma traição positiva, uma transgressão dos limites auto-impostos, que permite prosseguir com o processo de evolução, de busca da perfeição. Se a palavra 'traição' lhe soa pesada, veja o que diz John O'Donohue:

"A perfeição não é o esquivamento ao risco e ao perigo. (...)

Quando se é FIEL ao risco e ambivalência do crescimento, está-se empenhadndo a vida.
A alma gosta de risco; é somente pela porta do risco que o crescimento pode entrar."

Então Kundera nos convida a trair a 'ordem' da familiaridade em busca do desconhecido, do novo, da mudança; a mudança é a perfeição; e O'Donohue nos estimula a sermos fiéis ao risco e à ambivalência.

Trair ou ser fiel? Trair a 'ordem', ser fiel ao novo... gosto de paradoxos.


Brad Paisley, estrela da country music norte-americana, tem uma belíssima canção chamada "Find Yourself", na qual ele diz:

"às vezes, quando nos perdemos no caminho, tudo fica bem, pois é exatamente aí que encontramos a nós mesmos."

É preciso uma enorme coragem para livrar-se do conforto de nossas crenças e lançarmo-nos de encontro a nós mesmos, no escuro espelho de nossas almas!



É preciso uma enorme coragem para saber que o caminho - as mudanças, o novo, o desconhecido - é muitas vezes mais importante que o destino final da jornada. Se assim não fosse, ninguém faria o 'Camiño', bastaria ir para Compostella.

O que muda, o que transforma, o que nos faz evoluir não é chegar ao destino, mas sim percorrer o caminho.

Percorrer. Evoluir. Então você quer evoluir?

Encontre a si mesmo. Siga sua bem-aventurança.


O mais dificil é se desvincular da dicotomia,
da luz e escuridão, do bem e mal...


"É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo." ~ Clarice Lispector

Um comentário:

Sil Costa disse...

Oieee passando pra deixar um Oi

bjs

Sil